terça-feira, 18 de maio de 2010

Granizo catástrofe - efeitos colaterais


Passou-se um mês desde o granizo catástrofe e o bairro continua com montanhas de telhas que tomam as calçadas. A prefeitura continua retirando, mas novas voltam a crescer. Felizmente dia 10 o vidraceiro consertou nosso telhado de vidro e os vidros laterais e sexta e sábado passados o 'techista' (telhadista? telheiro? 'arrumador' de telhados?) trocou as telhas. Mas ainda há muitas casas com gente andando pelos telhados. E desde aquele dia não voltou a chover! Caíram umas gotas para deixar todo mundo preocupado, mas nada que possa ser chamado de chuva, o que por um lado é um alívio, com tantos telhados propensos a goteiras, por outro, um problema: as plantas sentem e nós ficamos com o receio de como será a chuva vindoura...

Nossa montanha particular

Montanha cortante

terça-feira, 27 de abril de 2010

Granizo catástrofe


18 de abril de 2010, Olivos - Buenos Aires, Argentina


Alguém já viu a Terra se defendendo dos constantes ataques sofridos pelo ser humano e seu 'desenvolvimento'? Até domingo retrasado eu podia me considerar sortuda por nunca ter passado por um tsunami e nem ter estado presente em catástrofes consideradas naturais como vulcões ou terremotos (que não sofrem interferência do homem - será?).
Depois de me sentir apedrejada dentro do trem e não dar muita bola (afinal, granizo é algo conhecido), me espantei com o tamanho das bolas de gelo que pintavam de branco o gramado da praça que fica ao lado da estação de trens.

A foto não é muito boa, era noite

Mesmo assim, não dei muita bola... Mas quando vi uma reunião de vizinhos na rua falando sobre o assunto e mais ainda quando entrei em casa e vi o tamanho real da coisa (as bolas da praça já estavam bastante derretidas) comecei a achar tudo muito absurdo e sobrenatural.
O 'cambio climático' (como se diz por aqui) demonstrou a força da Natureza: fomos 'agraciados' com uma tempestade de granizo onde os gelos eram do tamanho de laranjas (ou bolas de tênis, se preferirem uma comparação de tamanho menos variável). Durou cerca de 10 minutos, mas foi 'eficiente' e seu rastro de destruição pode ser apreciado pelo bairro e ficará presente por mais um bom tempo. Uma semana depois ainda há muitíssimas casas com telhas quebradas (inclusive a de meus pais), as pilhas de telhas, vidros, lâminas plásticas e toldos se amontoa nas calçadas do bairro, carros com amassados e vidros quebrados agora fazem parte da paisagem. Dá-lhe judiar da pobre Gaia... Finalmente Ela resolveu se defender!

Quem não tem teto de vidro que atire o primeiro granizo

Vocês acham que se tivesse tirado a cadeira do meio do gramado ela teria sobrevivido ao incidente? Não tenho certeza... Havia outras três empilhadas debaixo do telhado da churrasqueira e, não perguntem como, só a última debaixo ficou inteira...

Os bairros de Olivos, Martinez e região foram os mais atingidos. Vê-se gente andandando por tudo quanto é telhado.

Se não são pilhas assim, são caçambas pequenas ou grandes ou sacolas de entulho se acumulando pelas calçadas - a prefeitura não dá conta de recolher.

O bom é que ninguém que conheço se machucou. Então brindemos: enquanto uns tomam whisky com gelo do glaciar Perito Moreno, brindamos com coca light e "gelo dos deuses" ;-)


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Antes tarde que mais tarde - Lithops

Eba! Meus primeiros Lithops. Alguém sabe dizer qual a espécie? São duas diferentes?


Este veio com efeito especial: fica translúcido contra a luz ;-)

Um mais alto... (e translúcido)

... outro mais troncudinho e enrugado (será falta de água?)


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segunda-feira, 12 de abril de 2010

sábado, 3 de abril de 2010

Stapelia lepida? Orbea variegata?



Ganhei uma mini-touceira de uma amiga que também é voluntária lá no viveiro de plantas nativas há uns dois meses. Eles cresceram um monte e agora estão cobertos de botões de flores que são perfeitas estrelas. Essa suculenta é muito interessante, adoro o formato da planta e os botões de suas flores são como balõezinhos compostos de 5 de tudo: 5 sépalas, 5 pétalas, 5 estames... O botão é bem tridimensional, já a flor aberta é muito plana, uma estrela perfeita, toda pintada de roxo bem escuro e um verde-amarelado pálido. Parece um bicho e atrai moscas, que a polinizam. Não senti nenhum perfume, apesar de imaginar que deve ter algum cheiro a carne meio podre para atrair as moscas. Se lembrar, vou cheirá-la à noite e ver se algo muda.
Originária da África do Sul, de clima subtropical árido, requer solos bem drenados, arenosos, sol ou meia-sombra. Reproduz-se por estaquia de folhas, divisão de touceiras ou sementes.

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Nossa! Ela tem cheiro de carne podre sim, E COMO! Mas tem que enfiar o nariz na flor e inspirar (não precisa ser muito profundamente não), o que possibilita que ela continue pendurada perto a área de circulação sem inconvenientes.


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Alterei o título desse post pelo comentário feiro hoje pelo Neto. Acho que ele tem razão e se trata mesmo de uma Orbea variegata. Obrigada pelo atento comentário. (01 de abril de 2013)

quinta-feira, 25 de março de 2010

Antes que o mês acabe


Voltei! Agora com máquina fotográfica nova (falta só conseguir as pilhas recarregáveis, hehehe).


Abaixo, uma reportagem que saiu no jornal La Nación. Achei interessante saber que as plantas podem ser cegas, mas que, ao contrário de outros seres, não conseguem viver dessa forma. Há um tal de fitocromo (um pigmento sensor) que faz com que elas 'enxerguem' a luz vermelha e a traduzam como sinais que orientam a planta nas condições físicas e climáticas onde se encontra, informação necessária para que possa regular seu ciclo de vida.

Leia mais no artigo publicado dia 22 de março (em espanhol).

terça-feira, 2 de março de 2010

Flores x latitudes


Uma das coisas que algum dia gostaria de fazer é morar um ano e meio num lugar onde neva, para ver bem as estações do ano, as flores da tão marcante primavera. Enquanto não faço isso, vejo a vida em Buenos Aires como sinopse dessa realidade. Foi muito legal ver todas as plantas da mini-horta-em-vasos-na-parede, os arbustos, as árvores das ruas, os jardins das casas e parques, as reservas ecológicas floridas há uns meses atraz e bem mais contidos em sua explosão de cores no fim de fevereiro.
Tinha comentado isso com minha mãe no começo da semana passada. Ontem rodando por São Paulo percebi que aqui o festival de cores continua, que nossa latitude tropical faz uma diferença tremenda. Já sei que isso é esperado, que está escrito nos livros de geografia e tal, mas constatar isso pessoalmente é bem mais legal, como já diz lá em cima no blog: tenho que tentar por mim mesma e comprovar que a teoria realmente funciona na prática.
Adorei a sensação que tive com tantas cores e plantas usadas por aqui. Isso aumenta minha vontade de morar num lugar coberto pela neve e poder apreciar a natureza nascendo dela na primavera. Mas por 18 meses, mais que isso não sei não... Afinal, as melhores estações do ano são a primavera e o outono, nem tão quente, nem tão frio. Ou não?

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Laguneada: consertando o que desequilibramos

Apreciando o trabalho do dia - 30 de janeiro de 2010

Fotos: Ricardo Caminha

Na Reserva Ecológica Ribera Norte há um conjunto de lagoas e cursos d'água que as intercomunicam e que também interagem com o Rio de la Plata que está logo ali. Infelizmente a ganância imobiliária, como é seu costume, quis e ganhou terras inundáveis ao rio, recheando áreas para construir e logo vendo-se obrigada a recorrer a barreiras para impedir que o rio reclamasse as terras que eram suas de direito quando ele cresce.
Isso significa que águas de chuva vindas da 'barranca' (uma elevação que delimitava originalmente o fim das terras iniundáveis) que antes alimentavam as lagoas da reserva já não o fazem e que as águas da lagoa, mesmo com as crescidas do rio, são muito mais paradas que o desejado para manter um equilíbrio de, por exemplo, plantas aquáticas.
Assim sendo, a galera da reserva se vê obrigada a recorrer às ditas 'laguneadas' para liberar o espelho d'água. Sem espelho visível, muitas aves não pousam - acham que é terra o que há debaixo do tapete de plantas aquáticas. Isso significa que não constróem ninhos. E que não se reproduzem. E que... Enfim, vocês já entenderam.
Um dos orgulhos da Reserva é que habitam nela mais de 10% das aves nativas de todo o território argentino. A idéia é manter isso, diminuindo a quantidade de plantas exóticas - que além de tomarem o espaço das nativas não fornecem alimento à fauna local (mas isso é outro assunto). Outra coisa que podemos fazer e fazemos a cada 15 dias no verão é limpar a lagoa do excesso de plantas aquáticas, de lixo, diminuir a quantidade de exóticas (como o lírio Iris pseudacorus) que formam verdadeiras ilhas flutuantes e diminuem ainda mais a superfície de água.
Ai vão algumas fotos das laguneadas desse ano. Não são fotos minhas, mas na maioria dos casos não sei dizer quem as tirou... Se os autores se manifestarem, terei orgulho em acrescentar seus nomes.




Afundada na lama até acima do joelho

A ilha foi se formando pelo crescimento das Iris pseudacorus, que retém terra em seu emaranhado de rizomas. Logo cresceram uma Sesbanea punicea (Aqui Acacia mansa ou Ceibillo) com lindas flores laranjas e também algumas Erithrina crista-galli (aqui chamados Ceibo, a flor nacional da Argentina). As folhas que se vêem em primeiro plano infelizmente também pertencem à exótica iris... Nosso trabalho nesse dia foi cortar iris, coletar repolhos d'água (Pistia stratiotes) que seriam doados e retirar ao máximo outras aquáticas ('lentejas de agua' e 'helechitos de agua') para deixar livre o espelho da lagoa. Todo o material orgânico podado ou recolhido é jogado em cima da ilha, numa tentativa de afogar o rizoma das iris o suficiente para que paulatinamente perdam suas forças e não consigam voltar a crescer, o que dá certo lentamente (em outros pontos da lagoa estão resurgindo manchas de totora e outras nativas!!!).

***

Dia 27 de fevereiro haverá mais uma, estão todos convidados a se embarrar. Dessa vez eu passo, estarei longe, em terras tupiniquins. Mas esse fimde devo ir lá recolher lixo das trilhas - o rio andou muito alto esses últimos dias e nos devolve tudo aquilo que, em vez de reduzir, reciclar ou simplesmente jogar no lixo as pessoas jogam nas ruas e as chuvas levam até o rio. Se nós não queremos nosso próprio lixo, porque o rio haveria de querê-lo?

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Descobrindo as plantas nativas


Se você está em Buenos Aires e se interessa por natureza e por plantas nativas, recomendo o curso Descobrindo as Plantas Nativas da Riberira Norte que acontecerá em março no
viveiro e reserva ecológica Ribera Norte. Fiz esse curso em setembro de 2009 e em novembro o curso de cultivo e adorei os dois. A vantagem do primeiro é que começa com uma visita guiada à reserva, entendendo os diversos espaços, como se formam e interagem em busca do equilíbrio ecológico.

Visita à reserva durante o Curso Descobrindo as Plantas Nativas, que dura meio dia. A trilha elevada sobre dormentes de quebracho é a recentemente aberta ao público.

Curso Cultivando Plantas Nativas


A primeira vez que falei da reserva foi quando fiz a visita noturna. Podem ler mais aqui e aqui.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Porque não estudei economia

Ou contabilidade, tesouraria, finanças, comércio exterior ou ainda qualquer outro ganha-pão que dependa de forma mais direta de números e cálculos

Estou trabalhando no orçamento de um projeto que desenvolvi com um amigo. No fim, as contas dão certo, as fórmulas no excel funcionam, fazemos os ajustes necessários para chegar a um valor que o cliente possa pagar etc. e tal. Mas... Afffffff!!! Muitas horas são gastas nesse processo que mais se parece a um quebra-cabeça onde os números riem de nós, dão nó em nossos neurônios, se escondem ou multiplicam sem que nos demos conta e fazem da caça-ao-erro uma tarefa cansativa e desgastante.
Tendo consciência e certeza de que isso faz parte do negócio, me esforço (muito) para dominar essas feras compostas por algarismos e sinais de multiplicação, adição, subtração, divisão... Quando analiso o assunto, fico muito feliz de que, de forma direta, minha vocação tenha muito mais que ver com o lado criativo que com aspectos financeiros e deixo que outras pessoas que sim gostam disso se dediquem aos números e fórmulas financeiras, ganhem 'muitos dinheiros' no processo e me contratem para materializar os jardins de seus sonhos.

;-)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Meios expressivos

Uma das matérias que tivemos chama-se Meios Expressivos. Tivemos um professor muito bom e com ele aprendemos algumas coisas interessantes para soltar a mão e encarar a representação gráfica de projetos com mais recursos. Quero compartilhar com vocês alguns dos trabalhos que fiz e dos quais gostei mais.

Começamos o ano (2009) falando de cores primárias, secundárias, complementares..., de formas, de equilibrio, de harmonia, simetria ou falta dela e por ai vai. Depois, nos dedicamos algo mais às formas básicas: o quadrado, o triângulo isósceles, o círculo. Vimos que podem ser somadas, subtraídas, repetidas, giradas e que com essas formas podemos criar outras células que, repetidas, formam uma trama que pode ser útil ao desenhar um espaço verde.

Eis a trama que criei com minha célula-base. Depois, tirei duas cópias, as juntei e, trabalhando com um papel vegetal criei uma área verde. Cada um pensou em algo diferente com a trama que criou - uns, o jardim de uma casa com piscina, pérgola, churrasqueira... No meu caso, imaginei uma praça enorme, com canteiros e espelhos d'água, bancos, pérgolas, uma fonte centrar e um bosque ao fundo. Podem ver o resultado abaixo. [Escala 1:400 - as árvores representadas com círculos roxos à direita são Jacarandás]

Logo tínhamos que colorir o espaço criado e perder o medo do lápis de cor. Tudo começou muito de leve e tímido e com muito incentivo tornou-se mais marcado, mais forte e com mais personalidade. Obstáculo superado, agora conseguimos decidir se queremos ou não carregar no lápis de cor ;-)


- Para a próxima aula tragam passpartout 35x50cm e lápis grafite 2B, 4B, 6B e 8B. - diz o professor.
E lá vamos nós! O desafio: desenhar árvores. Como? Primeiro, escolha uma árvore - de prederência uma de que você goste, que conheça (bem) e que esteja por perto para ser vista ou da qual tenha várias fotos. Logo, analise, antes de mais nada, qual a estrutura da árvore que vai desenhar. Sua estrutura, como é? Colunar? E a copa, redonda? Copa alta ou baixa? Tronco liso ou rugoso? Folhagem densa? Compacta? E quanto à altura? Cresce simétrica? Curva-se com o vento? Possui flores? Qual a cor da folhagem - clara, escura, variegada?
Depois, comece usando um lápis 2B com ponta algo desgastada para não marcar demais o papel. Desenhe a estrutura da árvore: seu tronco e galhos. Logo, esboce a forma da copa. Satisfeito (razoavelmente)? Com os outros lápis mais suaves, comece a dar profundidade e textura a essa árvore, experimente o que cada lápis oferece: sua cor mais intensa, o rastro de grafite que deixa no papel, a possibilidade de esfumaçar usando o dedo, as manchas que deixa se tentar apagar...
Tive a vantagem de ter um professor por perto fazendo demonstrações, dando toques, incentivando a que perdessemos o medo de errar e o resultado está abaixo no falso pimenteiro ou pimenta rosa (Schinus areira), o primeiro que fiz, e na araucária.

O que vem depois do PB? A cor, é claro. Com têmperas aprendemos a mesclar cores e a dar as primeiras pinceladas. O desafio foram novamente as árvores, que dessa vez deveriam se representadas metade peladas, para mostrar sua estrutura, e metade vestidas com sua folhagem e floração. Fiz, entre outras, a Erythrina crista-galli, flor nacional da Argentina desde 1942, e um jacarandá.

Ufa! Um longo caminho percorrido. Hora de começar a pensar em 3D, em perspectivas e croquis. Para ajudar nessa empreitada, um exercício muito bacana. Cada um pesquisou e escolheu uma pintura abstrata de Robert ou de sua esposa Sonia Delaunay - eu escolhi este daqui. Passamos os traços ao tamanho 35x50cm e criamos um espaço utilizando esses traços. Surgiram praças muito interessantes (acho que apenas uma pessoa criou um jardim residencial dessa vez). Logo, fizemos uma maquete para a planta imaginada, tiramos fotografias - algumas do ponto de vista de uma pessoa que estivesse passeando pela maquete e, usando maquete e fotos como apoio, desenhamos duas perspectivas. Bastante difícil cumprir a tarefa, o resultado ficou melhor do que eu esperava. O que acham?




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domingo, 7 de fevereiro de 2010

2009: um ano produtivo

Respiro fundo, relaxo, me preparo para ouvir opiniões: chegou a hora de compartilhar com vocês o que andei produzindo no paisagismo durante 2009. Quero continar aprendendo e preciso da ajuda de vocês nessa caminhada que tem começo, tem direção, mas não tem fim (que bom!). Espero que gostem e que comentem - mesmo [pricipalmente?] se não gostarem.
2009 foi um ano dedicado aos estudos, a experimentar o uso dos lápis grafite e de cor, a sofrer desenhando meus primeiros croquis, a estudar texturas de materiais para melhorar a apresentação gráfica de idéias. Agora estou mais confiante ao expressá-las. O suficiente para, apoiada pela insubstituível apresentação do projeto, poder transmitir a sensação do jardim ao cliente.
Expressar idéias graficamente (ainda) leva muito tempo e (ainda) gasto muita borracha no processo: nada que a prática e a persistência não melhorem.


Jardim residencial 18m x 5m

Esse foi o primeiro projeto elaborado no curso. Deviamos projetar um espaço de 18m x 5m para os fundos de uma casa e representar a planta e sua elevação em preto e branco usando escala 1:50. Outro requisito era usar arbustos e herbáceas de três alturas, sendo permitido incluir outros elementos desejados. Nesse momento não foram colocadas características de quem usaria o espaço. A escolha das espécies ficou restrita a uma lista trabalhada em outra matéria (recursos vegetais), pois essas estão disponíveis no mercado e se adaptam bem ao clima de Buenos Aires.
Pena que a lâmina escanneada fique meio manchada. Espero que ainda assim dê para apreciar que há linhas mais grossas representando o que está mais alto e mais finas para tudo o que está mais próximo ao chão. Na elevação, o mais próximo é mais forte e o mais distante, algo mais fino, mais leve ou apagado.
Trabalhei linhas orgânicas, que me agradam bastante, criando um orquidário com pérgola e redes para relaxamento e leitura, um longo banco em alvenaria acompanhando a parede dos fundos e canteiros em várias alturas. Há uma mesa à sombra de uma Lagerstroemia indica (resedá) de flores vermelho-vinho sobre chão de pedrisco e a variada largura do banco permite recostar-se contra a parede, deitar-se ou sentar-se comodamente sobre almofadas e colchenetes. Para iluminação temos uma luz elevada no mesmo suporte das redes que ilumina de modo amplo, balizadores embutidos no banco e luminárias de parede, podendo cada tipo ser usado de forma independete ou em conjunto com outras.



Jardim residencial 18m x 5m (2)

O próximo projeto foi elaborar um novo espaço para o mesmo jardim trabalhado acima. Quem usou linhas orgânicas como eu, deveria projetar algo mais geométrico e vice-versa. A idéia era apresentar uma segunda opção para o cliente que gostou dos ambientes e das espécies vegetais escolhidas, mas não tanto das formas. Também poderiamos incluir algo novo - resolvi acrescentar um espaço gourmet com churrasqueira, forno e fogão à lenha, pia, geladeira - tudo sob a agradável sombra de uma pérgola de madeira coberta com policarbonato e uma bela Wisteria sinensis (glicinia).
Essa representação de planta e elevação em escala 1:50 deveria ser feita em cores.[Fico devendo as referências, o arquivo é muito pesado e não sobre nem com reza brava]


Cafeteria Centro Pampa

Centro Pampa é o nome da escola onde faço o curso. É um prédio antigo reformado uma e outra vez para atender às necessidades de alunos e professores. No verão 2008/2009 houve mais uma reforma e a escola ganhou um segundo andar fechado - onde antes era um terraço, agora há um ateliê para as aulas de pintura e de design de jóias. Trata-se da área em branco na planta acima.
O erxercício consistiu em criar um espaço externo cosntruindo decks em duas alturas sobre os telhados da escola, reaproveitar uma sala que hoje é um depósito, abrindo um segundo acesso à área externa [a porta de vidro dupla na parte inferior da planta já existe, com um pequeno deck de 2m de largura]. Também deveriamos criar uma varanda sobre o telhado à direita, com vista para a rua, e readequar todo o espaço como cafeteria e área social da escola.
Esse trabalho foi feito em duplas e Julieta e eu o projetamos incluindo uma biblioteca informatizada, área WiFi, canteiros elevados e outros afundados no deck para que as plantas fiquem à altura do piso, dando a sensação de estarem plantadas na terra, um estanque com cortina de água para manter a luminosidade de janelas que ficaram ocultas, mas que trazem luz e ar às salas de aula que estão embaixo.
Usamos espécies da flora nativa para trazer ao local também parte da fauna nativa de aves e borboletas, ajudando no equilibrio ambiental e cumprind com o compromisso social da escola. O deck mais alto tem cobertura de pérgola com policarbonato, ventilação controlada e pode ser isolado caso queiram das algum curso ou fazer exposições, algo comum na rotina do Centro Pampa. A área conta com banheiros e uma pia apropriada para lavar pincéis e materiais de pintura, com filtros e canos de diâmetro suficiente para não entupir e facilitar a manutenção. Aproveitamos ainda a parte superior da biblioteca criando uma escada de acesso e um monta-cargas para que esse espaço com vistas privilegiadas possa ser utilizado pelos alunos dos cursos de pintura. Ah, e desenhamos também também telhados verdes para tudo o que não fosse deck, proporcionando maior área de absorção de águas pluviais e mais conforto térmico no verão e no inverno para os ambientes dessa construção. Bem que podia ser um projeto com possibilidade de execução e não apenas um exercício de curso, ficou muito bacana e eu, como aluna, adoraria ter
Escala 1:50 - o norte fica sobre a diagonal que vai da esquerda para a direita, apontando para baixo [o scanner só trabalha até tamanho A3 e a lâmina mede 35 x 50cm... Digitalizar maior ia ficar muuuito mais caro do que já foi].


Jardim residencial - fachada
Jardim residencial - fundos

Um jardim de verdade! Esse último trabalho de projeto do ano foi um caso real. Há uma casa perto da escola que está em reforma. Seu jardim está abandonado, cheio de entulho, material de cosntrução, plantas invadindo os espaços. Há alguns pontos a serem resolvidos, como obter privacidade em relação ao prédio que fica nos fundos.
A proprietária também quer manter ao máximo as plantas existentes - o projeto foi desenvolvido respeitando algumas árvores grandes e transplantando arbustos e herbáceas, acrescentando maior quantidade das mesmas espécies ou novas plantas para criar ambientes agradáveis e funcionais.
Uma área de estar permite aproveitar o jardim tanto no verão quanto no inverno e o jardim entra pela janela da copa-cozinha para poder ser aproveitado na correria do cotidiano.
Na fachada sempre sombreada, plantas criam privacidade e dão as boas-vindas com perfumes, assim como fazem os árabes - um costume que considero muito simpático.
Cada aluno da manhã e da noite, num total de 15, preparou um projeto para a proprietária, que teve a difícil tarefa de escolher os 4 que mais gostou. Os alunos da noite tivemos a vantagem de poder apresentar o projeto a ela, o que ajuda muito. Depois de uma longa deliberação com o professor de projeto, ela escolheu 3 projetos da noite e um da manhã. Os alunos formarão um grupo que fará um novo projeto a ser implementado quando a reforma da casa estiver terminada. Faço parte desse grupo de trabalho :-D !!!

Essa é uma boa amostra do que produzi na matéria de projeto durante 2009. Depois conto a vocês o que fizemos em meios expressivos, aulas que adorei e que ajudaram muito a soltar a mão e experimentar técnicas variadas.



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sábado, 23 de janeiro de 2010

A tal da imagem que vale por mil palavras

Consegui a proeza de esgotar mais uma máquina fotográfica. Pelo menos eu acho que ela não quebrou simplesmente, pediu aposentadoria por excesso de trabalho. O contador (que vai até 9.999) virou ao zero faz algum tempo e agora ela se nega a continuar sendo minha parceira pelas ruas afora. Uma pena.
Como escrever aqui sem ter fotos para ilustrar é bem menos divertido, cabem três possibilidades: (1) sumir temporariamente (o que não quero fazer, apesar de estar pouco ativa nos últimos tempos), (2) publicar assuntos que ficaram engavetados para os quais tenho fotos ou (3) escrever sem usar fotos. Veremos. Espero que a alternativa 2 seja a vencedora.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

As cerâmicas de Clara Coelho

A primeira vez que ouvi falar em raku - uma técnica japonesa de queima de cerâmicas utilizando folhas secas quando as peças estão incandescentes - foi quando vi uma peça de Clara Coelho, ceramista, artista, professora e uma pessoa espetacular.
Se você procura algo diferente, xerete o trabalho dela. No site há também um video que demosntra a técnica do raku, bem legal de se ver.
Particularmente, gostei da coleção Jardim do Buda. E você?

[Puxa, achei que tinha fotos da participação dela na Fiaflora de 2008 mas me enganei, fico devendo]

sábado, 9 de janeiro de 2010

Ameixas

Frutíferas de caroço como as cerejeiras, os pêssegos e as nectarinas possuem belíssimas floradas. Por aqui em Buenos Aires essas pequenas árvores caducas crescem e frutificam bem. E são muito fotogênicas também, apesar de ser complicado captar toda a beleza sem dispor de uma escada, principalmente por causa do contra-luz. Mas vale insistir, depois é só descartar em torno de 98% das fotos ;-) .

Prunus cerasifera - um pé de ameixa ornamental, com folhas de constante vermelho-vinho, cujos frutos têm mais caroço que polpa e muito tanino, não sendo interessantes ao paladar.


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Duas espécies de Prunus comestíveis plantadas numa ilha do Delta do Paraná. Não lembro quantos pés há lá, mas na hora da colheita sei que trouxeram 11 cestos lotados e deixaram um monte para a fauna local. Na foto com os frutos, metade um dos 11 cestos colhidos que ganhei de presente. Doces, deram origem a um bolo, a um mousse de ameixas e a sorbet.

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Esse pé de ameixa é do jardim da casa de amigos aqui em Buenos Aires. Numa área pequena eles têm mais dois pés de ameixa, um quinoto, uma mini-horta, dois tipos de uvas e muitos vasos em todos os cantos.

sábado, 2 de janeiro de 2010

O poste que virou árvore - 2


Dessa vez, árvore de verdade: um ipê amarelo. Vai lá conferir.

Pergunto: quem foi que teve coragem de cortar um ipê desse porte in the first place? Hugh?

Verde esperança


Essa se salvou por pouco da tesoura de poda. Habita a cerca-viva da casa de meus pais. Acho que não gostou de ter ficado sem o cobertor de folhas que a protegia, hoje de manhã havia mudado para endereço desconhecido. Que tipo de borboleta sairá dela?