domingo, 7 de fevereiro de 2010

2009: um ano produtivo

Respiro fundo, relaxo, me preparo para ouvir opiniões: chegou a hora de compartilhar com vocês o que andei produzindo no paisagismo durante 2009. Quero continar aprendendo e preciso da ajuda de vocês nessa caminhada que tem começo, tem direção, mas não tem fim (que bom!). Espero que gostem e que comentem - mesmo [pricipalmente?] se não gostarem.
2009 foi um ano dedicado aos estudos, a experimentar o uso dos lápis grafite e de cor, a sofrer desenhando meus primeiros croquis, a estudar texturas de materiais para melhorar a apresentação gráfica de idéias. Agora estou mais confiante ao expressá-las. O suficiente para, apoiada pela insubstituível apresentação do projeto, poder transmitir a sensação do jardim ao cliente.
Expressar idéias graficamente (ainda) leva muito tempo e (ainda) gasto muita borracha no processo: nada que a prática e a persistência não melhorem.


Jardim residencial 18m x 5m

Esse foi o primeiro projeto elaborado no curso. Deviamos projetar um espaço de 18m x 5m para os fundos de uma casa e representar a planta e sua elevação em preto e branco usando escala 1:50. Outro requisito era usar arbustos e herbáceas de três alturas, sendo permitido incluir outros elementos desejados. Nesse momento não foram colocadas características de quem usaria o espaço. A escolha das espécies ficou restrita a uma lista trabalhada em outra matéria (recursos vegetais), pois essas estão disponíveis no mercado e se adaptam bem ao clima de Buenos Aires.
Pena que a lâmina escanneada fique meio manchada. Espero que ainda assim dê para apreciar que há linhas mais grossas representando o que está mais alto e mais finas para tudo o que está mais próximo ao chão. Na elevação, o mais próximo é mais forte e o mais distante, algo mais fino, mais leve ou apagado.
Trabalhei linhas orgânicas, que me agradam bastante, criando um orquidário com pérgola e redes para relaxamento e leitura, um longo banco em alvenaria acompanhando a parede dos fundos e canteiros em várias alturas. Há uma mesa à sombra de uma Lagerstroemia indica (resedá) de flores vermelho-vinho sobre chão de pedrisco e a variada largura do banco permite recostar-se contra a parede, deitar-se ou sentar-se comodamente sobre almofadas e colchenetes. Para iluminação temos uma luz elevada no mesmo suporte das redes que ilumina de modo amplo, balizadores embutidos no banco e luminárias de parede, podendo cada tipo ser usado de forma independete ou em conjunto com outras.



Jardim residencial 18m x 5m (2)

O próximo projeto foi elaborar um novo espaço para o mesmo jardim trabalhado acima. Quem usou linhas orgânicas como eu, deveria projetar algo mais geométrico e vice-versa. A idéia era apresentar uma segunda opção para o cliente que gostou dos ambientes e das espécies vegetais escolhidas, mas não tanto das formas. Também poderiamos incluir algo novo - resolvi acrescentar um espaço gourmet com churrasqueira, forno e fogão à lenha, pia, geladeira - tudo sob a agradável sombra de uma pérgola de madeira coberta com policarbonato e uma bela Wisteria sinensis (glicinia).
Essa representação de planta e elevação em escala 1:50 deveria ser feita em cores.[Fico devendo as referências, o arquivo é muito pesado e não sobre nem com reza brava]


Cafeteria Centro Pampa

Centro Pampa é o nome da escola onde faço o curso. É um prédio antigo reformado uma e outra vez para atender às necessidades de alunos e professores. No verão 2008/2009 houve mais uma reforma e a escola ganhou um segundo andar fechado - onde antes era um terraço, agora há um ateliê para as aulas de pintura e de design de jóias. Trata-se da área em branco na planta acima.
O erxercício consistiu em criar um espaço externo cosntruindo decks em duas alturas sobre os telhados da escola, reaproveitar uma sala que hoje é um depósito, abrindo um segundo acesso à área externa [a porta de vidro dupla na parte inferior da planta já existe, com um pequeno deck de 2m de largura]. Também deveriamos criar uma varanda sobre o telhado à direita, com vista para a rua, e readequar todo o espaço como cafeteria e área social da escola.
Esse trabalho foi feito em duplas e Julieta e eu o projetamos incluindo uma biblioteca informatizada, área WiFi, canteiros elevados e outros afundados no deck para que as plantas fiquem à altura do piso, dando a sensação de estarem plantadas na terra, um estanque com cortina de água para manter a luminosidade de janelas que ficaram ocultas, mas que trazem luz e ar às salas de aula que estão embaixo.
Usamos espécies da flora nativa para trazer ao local também parte da fauna nativa de aves e borboletas, ajudando no equilibrio ambiental e cumprind com o compromisso social da escola. O deck mais alto tem cobertura de pérgola com policarbonato, ventilação controlada e pode ser isolado caso queiram das algum curso ou fazer exposições, algo comum na rotina do Centro Pampa. A área conta com banheiros e uma pia apropriada para lavar pincéis e materiais de pintura, com filtros e canos de diâmetro suficiente para não entupir e facilitar a manutenção. Aproveitamos ainda a parte superior da biblioteca criando uma escada de acesso e um monta-cargas para que esse espaço com vistas privilegiadas possa ser utilizado pelos alunos dos cursos de pintura. Ah, e desenhamos também também telhados verdes para tudo o que não fosse deck, proporcionando maior área de absorção de águas pluviais e mais conforto térmico no verão e no inverno para os ambientes dessa construção. Bem que podia ser um projeto com possibilidade de execução e não apenas um exercício de curso, ficou muito bacana e eu, como aluna, adoraria ter
Escala 1:50 - o norte fica sobre a diagonal que vai da esquerda para a direita, apontando para baixo [o scanner só trabalha até tamanho A3 e a lâmina mede 35 x 50cm... Digitalizar maior ia ficar muuuito mais caro do que já foi].


Jardim residencial - fachada
Jardim residencial - fundos

Um jardim de verdade! Esse último trabalho de projeto do ano foi um caso real. Há uma casa perto da escola que está em reforma. Seu jardim está abandonado, cheio de entulho, material de cosntrução, plantas invadindo os espaços. Há alguns pontos a serem resolvidos, como obter privacidade em relação ao prédio que fica nos fundos.
A proprietária também quer manter ao máximo as plantas existentes - o projeto foi desenvolvido respeitando algumas árvores grandes e transplantando arbustos e herbáceas, acrescentando maior quantidade das mesmas espécies ou novas plantas para criar ambientes agradáveis e funcionais.
Uma área de estar permite aproveitar o jardim tanto no verão quanto no inverno e o jardim entra pela janela da copa-cozinha para poder ser aproveitado na correria do cotidiano.
Na fachada sempre sombreada, plantas criam privacidade e dão as boas-vindas com perfumes, assim como fazem os árabes - um costume que considero muito simpático.
Cada aluno da manhã e da noite, num total de 15, preparou um projeto para a proprietária, que teve a difícil tarefa de escolher os 4 que mais gostou. Os alunos da noite tivemos a vantagem de poder apresentar o projeto a ela, o que ajuda muito. Depois de uma longa deliberação com o professor de projeto, ela escolheu 3 projetos da noite e um da manhã. Os alunos formarão um grupo que fará um novo projeto a ser implementado quando a reforma da casa estiver terminada. Faço parte desse grupo de trabalho :-D !!!

Essa é uma boa amostra do que produzi na matéria de projeto durante 2009. Depois conto a vocês o que fizemos em meios expressivos, aulas que adorei e que ajudaram muito a soltar a mão e experimentar técnicas variadas.



Clique nas imagens para ampliar

sábado, 23 de janeiro de 2010

A tal da imagem que vale por mil palavras

Consegui a proeza de esgotar mais uma máquina fotográfica. Pelo menos eu acho que ela não quebrou simplesmente, pediu aposentadoria por excesso de trabalho. O contador (que vai até 9.999) virou ao zero faz algum tempo e agora ela se nega a continuar sendo minha parceira pelas ruas afora. Uma pena.
Como escrever aqui sem ter fotos para ilustrar é bem menos divertido, cabem três possibilidades: (1) sumir temporariamente (o que não quero fazer, apesar de estar pouco ativa nos últimos tempos), (2) publicar assuntos que ficaram engavetados para os quais tenho fotos ou (3) escrever sem usar fotos. Veremos. Espero que a alternativa 2 seja a vencedora.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

As cerâmicas de Clara Coelho

A primeira vez que ouvi falar em raku - uma técnica japonesa de queima de cerâmicas utilizando folhas secas quando as peças estão incandescentes - foi quando vi uma peça de Clara Coelho, ceramista, artista, professora e uma pessoa espetacular.
Se você procura algo diferente, xerete o trabalho dela. No site há também um video que demosntra a técnica do raku, bem legal de se ver.
Particularmente, gostei da coleção Jardim do Buda. E você?

[Puxa, achei que tinha fotos da participação dela na Fiaflora de 2008 mas me enganei, fico devendo]

sábado, 9 de janeiro de 2010

Ameixas

Frutíferas de caroço como as cerejeiras, os pêssegos e as nectarinas possuem belíssimas floradas. Por aqui em Buenos Aires essas pequenas árvores caducas crescem e frutificam bem. E são muito fotogênicas também, apesar de ser complicado captar toda a beleza sem dispor de uma escada, principalmente por causa do contra-luz. Mas vale insistir, depois é só descartar em torno de 98% das fotos ;-) .

Prunus cerasifera - um pé de ameixa ornamental, com folhas de constante vermelho-vinho, cujos frutos têm mais caroço que polpa e muito tanino, não sendo interessantes ao paladar.


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Duas espécies de Prunus comestíveis plantadas numa ilha do Delta do Paraná. Não lembro quantos pés há lá, mas na hora da colheita sei que trouxeram 11 cestos lotados e deixaram um monte para a fauna local. Na foto com os frutos, metade um dos 11 cestos colhidos que ganhei de presente. Doces, deram origem a um bolo, a um mousse de ameixas e a sorbet.

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Esse pé de ameixa é do jardim da casa de amigos aqui em Buenos Aires. Numa área pequena eles têm mais dois pés de ameixa, um quinoto, uma mini-horta, dois tipos de uvas e muitos vasos em todos os cantos.

sábado, 2 de janeiro de 2010

O poste que virou árvore - 2


Dessa vez, árvore de verdade: um ipê amarelo. Vai lá conferir.

Pergunto: quem foi que teve coragem de cortar um ipê desse porte in the first place? Hugh?

Verde esperança


Essa se salvou por pouco da tesoura de poda. Habita a cerca-viva da casa de meus pais. Acho que não gostou de ter ficado sem o cobertor de folhas que a protegia, hoje de manhã havia mudado para endereço desconhecido. Que tipo de borboleta sairá dela?

sábado, 12 de dezembro de 2009

Assim, dá até pra (quase) gostar de shopping


Não sou fã de shopping. Apesar de reconhecer que gastar dinheiro é uma ótima solução para dias de mal-humor, não faço uso desse tipo de terapia por questões monetárias e por princípios - acho que já temos demais, criamos lixo demais e devemos nos controlar para não comprar o desnecessário.
Mas meu desgosto por shoppings não se deve a isso (afinal, dá pra gastar $$ fora do shopping também). Nunca entrei num cassino, mas acho que deve ser igualzinho aos shoppings (ou à maioria deles): um lugar fechado, onde se perde a noção do tempo (em horas) e do tempo (chuva, sol, frio, calor, vento ou ausência dele...).
Aí, num dia de chuva, me rendi e fui conhecer o mais novo shopping de Buenos Aires - DOT Baires Shopping (êita nominho feio esse!). Havia ouvido comentários sobre sua arquitetura cheia de vidros, janelas e vistas da cidade. Depois um professor comentou sobre a decoração. Considerando que já se passaram vários meses desde a inauguração e de que não há mais filas quilométricas para entrar nele, fui. E gostei do que vi: LUZ NATURAL, PLANTAS DE VERDADE E JARDINS EXTERNOS.

Mesmo assim, nada como um parque, uma praça ou um belo jardim... E uma feirinha de artesanato, onde as coisas são mais exclusivas e mais a minha cara ;-)

Cerâmicas

Ó o que eu sei fazer!

Acabou... Agora só ano que vem recomeça a oficina de cerâmica da Municipalidad de Vicente López. Sentirei saudades, mas continuarei transformando barro em objetos usando as técnicas que aprendi até agora.

Mais, aqui.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Opuntias nativas da ribeira do Rio da Prata

Opuntia brasiliensis

Quando acabava de começar meu trabalho como voluntária no viveiro de nativas da Reserva Ribera Norte, assignaram-me uma tarefa ao melhor estilo batismo: inventariar (leia-se livrar os vasos de daninhas, afofar a parte superior da terra, trocar vasos, arrumar esses nos pallets...) as cactáceas.
Lá temos duas que são reconhecidas pelo Instituto Darwinion como nativas da região do Delta e costa do Rio de la Plata: a Opuntia brasiliensis e a Opuntia aurantiaca.
A O. brasiliensis comportou-se bastante bem. Fiz estacas novas, passei a vasos maiores, arrumei as fileiras. Temos umas plantadas na terra que agora estão espetaculares, florescendo e frutificando.
Mas o real motivo de assignarem essa tarefa aos novatos como eu é testar a persistência na hora de lidar com a Opunita aurantiaca. Seus segmentos se desprendem com muita facilidade da planta-mãe, ficando agarrados pelos espinhos com ponta ligeiramente em gancho em qualquer coisa que os toque: a pelagem de um cachorro, nossa roupa, minhas luvas (de couro grossas!), minha pele... Eita plantinha com vontade de viver e se propagar essa! Segmentos quase secos, todos mirradinhos, com a menor atenção, terra e água voltam a brotar.
Venci o desafio daquele momento. Desde então não venho mais lidando com as cactáceas. Os vasos estão novamente com daninhas, pois
não são de interesse paisagístico para as pessoas que procuram nativas. A não ser que alguém queira plantá-las como defesa anti-invasores (sejam humanos, felinos, caninos ou outros), é difícil alguém se interessar por ela. Estou há 7 meses trabalhando lá e nunca vi um vaso sequer ser vendido... Também, pudera: meses depois ainda encontro a ponta de alguns espinhos do lado de dentro de minhas luvas (de couro grossas)...

Opuntia aurantiaca - esses vieram grudados em mim para casa e foram plantasdos (só o tempo dirá por quanto tempo)